Yeda sabia sobre o Detran?
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Na tentativa de construir um herói a todo custo, o diretor Gus Van Sant desperdiçou a oportunidade de realizar um filme memorável. Milk, A Voz da Igualdade, conta a história de Harvey Milk, o primeiro gay assumido a ocupar um cargo público nos EUA ao ser eleito para a Cãmara de Supervisores de San Franciso, na Califórinia, em 1977. Van Sant comete dois erros fundamentais: 1 – abusa da afetação gay, deslocando o centro da história para o comportamento dos que viviam na Rua Castro nos anos 70; 2 – simplifica as articulações políticas e sociais que permitiram o sucesso de Milk e a permanência no poder e prefere sua personalidade privada à descrição do homem público. No primeiro caso, o estilo de vida e as ações íntimas das personagens, não há dúvida, formam importante retrato do ambiente que presenciou e protagonizou a ascensão de Milk. Levando a representação dessa maneira de viver ao extremo, termina por encobrir uma realidade mais ampla, dando a impressão de que Milk era somente a voz de homossexuais com maneiras próprias de ser, um líder do gueto. No segundo item, a ascensão de Milk deixa de lado os aspectos sociais da disputa que permitiu a vitória, tornando-a uma luta entre o bem e o mal. Já eleito, Milk torna-se um importante supervisor, com influência sobre o prefeito e os demais integrantes da Câmara. Com certeza, tal projeção não se deu de maneira incólume ou mágica como o filme transmite. A desavença com o supervisor Dan White (novamente prejudicada pela apresentação de uma suposta luta do bem contra o mal, com Milk fazendo o papel de bonzinho) é a amostra mais acabava da simplificação com que o filme trata os aspectos políticos e públicos da história da personagem. A disputa, aliás, foi decisiva para o assassinato de Harvey Milk e do prefeito George Moscone. Não há dúvida que a trajetória de Milk é memorável e marcou um momento significativo na luta empreendida contra os preconceitos que criminalizam e excluem as chamadas ‘minorias’. Sua vitória foi a afirmação da organização de homens e mulheres com dramas comuns e que enxergavam na ação política uma alternativa importante para ocupar espaços e enfrentar os abutres da liberdade. Os excessos e os erros de Van Sant comprometem o filme, obscurecem-no como registro dos feitos de Milk, mas não retiram o lugar histórico que ocupa e pode ajudar a garantir o reconhecimento devido. Com certeza, a chegada ao poder, cinco anos depois de aportar em San Francisco em 1972, a separação do namorado (mais política que afetiva), a vitória e a atuação pública contêm aspectos nebulosos e próprios da ação política que o diretor preferiu encobrir em favor de um retrato leve, sutil e exageradamente afetado de Milk. Tentou, a ferro e fogo, construir um herói. Produziu um filme que merece ser assistindo, mas que fica devendo.Marcadores: cinema
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Ir ao cinema, assistir a uma bela história, que mescla saudosismo, humor na medida certa e uma reflexão sobre a passagem do tempo e o seu impacto na vida de uma família é o que acontece com o argentino Ninho Vazio, de Daniel Burman. A saída dos filhos de casa muda a rotina e revela as maneiras de um casal já maduro para enfrentar a situação. É um filme sem grandes pretensões e que conquista pela tranquilidade com que trata as fatos. Dizer mais é exagerar nas qualidades ou exaltar limitações. Na mesma categoria, está o italiano Caos Calmo, de Antonio Luigi Grimaldi, que conta a história do pai que precisa cuidar da filha depois da morte prematura da mulher. De maneira metafórica, mostra com beleza e suavidade uma elaboração do luto que foge de todos as convenções, expondo como a dor pode se transformar numa revolução da vida. Na verdade, Caos Calmo revela que a dor faz parte da vida. Sucumbir a ela é renunciar à própria existência. Por mais difícil que seja, lidar com o sofrimento psicológico e moral é uma necessidade para permanecer em pé.Marcadores: cinema
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Na cena inicial de Sábado, romance de Ian McEwan, a História adentra na vida de Henry Perowne, um bem-sucedido neurocirurgião inglês que, da janela de casa, observa Londres em uma madrugada de fevereiro de 2003. Menos de dois anos antes, em Nova York, o 11 de setembro marcaria o renascimento da política como esfera de importância na vida da humanidade e o início do naufrágio de George W.Bush (apesar de muitos, na época, terem acreditado ser aquela a oportunidade da redenção). Casado, com dois filhos jovens, um sogro poeta e a mãe internada numa clínica, Perowne é reconhecido como um dos mais competentes profissionais da sua área e tem uma vida de classe média alta, sólida e confortável. A história se passa durante 24 horas, em um sábado. Da janela, ele enxerga um avião em chamas rumo ao aeroporto; ao acordar, faz sexo com a mulher; na manhã, joga squash com um colega; antes disso, enfrenta três jovens em um incidente de trânsito com consequências adiante na história; após, compra frutos do mar para a reunião noturna da família, assiste a um show do filho músico, cozinha e vive momentos intensos na noite. Permeando os relatos precisos e envolventes, McEwan reflete sobre os mais variados temas, naquilo que chamou, em entrevista ao jornalista Daniel Piza, de ‘pequenos ensaios’. Um dos textos mais interessantes envolve a discussão com a filha sobre o iminente ataque ao Iraque. Como pano de fundo, Londres assiste a sua maior manifestação popular da história. Mais de 1 milhão de pessoas protesta contra a guerra. A filha de Perowne, poeta que vive em Paris, é contra a invasão. O pai, em dúvida, reflete mais longe. Diante do mundo individual que construiu com abnegação e a renúncia de prazeres, sente que os fatos dos anos anteriores e as ameaças dos grupos radicais muçulmanos são, na verdade, uma condenação fatal a um estilo de vida, construído ao longo do tempo no mundo ocidental. Para Perowne, as atrocidades de Saddam Hussein criam nebulosas sobre os gritos da Europa contra a guerra. Para atacar a insanidade norte-americana, o mundo que quer a paz une-se a um cruel e sanguinário ditador, criado pelos próprios ianques. O dilema é grande. O mérito de McEwan é o de trazer, com sua prosa atraente, a verdade de que os ataques de 11 de setembro foram o sinal de que ‘eles’ querem destruir a ‘nós’ e de que não aceitam a maneira como encaramos o mundo e a vida. Ao entrar no jogo do adversário, o desastrado Bush confundiu o meio-de-campo e garantiu imunidade moral aos terroristas. Os que saem às ruas, apesar do apelo pela paz, estavam aceitando que os inimigos ameaçassem a destruição da sua maneira de viver (criada pelos seus pais, já que a maioria dos protestantes são jovens que desfrutam as benesses da vida estável e o conforto da riqueza capitalista). Enquanto milhões vão às ruas contra Bush e o apoio dado por Tony Blair, Perowne enfrenta um conflito particular, quando o inimigo invade sua casa e ameaça a paz familiar. A reação individual de todos contrasta com o discurso coletivo expresso nas ruas. Apesar do erro unânime da guerra de Bush, é impossível deixar de reconhecer que os ataques terroristas são uma ameaça ao mundo ocidental. Tratá-los como mera reação de explorados é o argumento dócil dos que reagem com violência quando atacados na sua individualidade. McEwan constrói um romance esplêndido no qual contrapõe a ação coletiva com a individual e mostra que o choque desencadeado pelo 11 de setembro é mais complexo do que muitos supõem.Marcadores: livros
O filme alemão A Alegria de Emma tem o efeito de uma espécie de desintoxicação. Ao colidir frontalmente com as lógicas de mercado, o diretor Sven Taddicken produziu uma obra que trata do amor com sutileza e sem cair na pieguice. Há uma opção evidente por personagens feios e rudes, um namoro com o escatológico e a ideia do amor vivido na marginalidade. É a redenção comum a todos, mesmo para seres que experimentam a iminência do final ou o isolamento que parece definitivo. O que poderia ser um romance meloso, indolente e chato, é uma história bem contada, simples, sem grandes arrebatamentos, como é comum na vida real. Por tudo isso, a sensação é de que por alguns momentos nos livramos da mesmice, do sonho irreal e tonificado tão caro a Hollywood e à maioria das produções cinematográficas contemporâneas. Além disso, para destoar do óbvio, A Alegria de Emma não precisa das incompreensíveis, chatas e delirantes histórias que caracterizam o que se chama de cinema alternativo. Emma vive numa fazenda no interior da Alemanha, solitária com seus porcos e prestes a perder o patrimônio por dívidas. Max é um vendedor de carros que descobre um câncer terminal no pâncreas. Em um acidente quase mágico, ele cai na vida dela. E aí se desenvolve o encontro, a sedução, a realização, o desvendamento e a perda do amor. Só isso. Não é um filme gigante, nem brilhante. É diferente. E desintoxica, liberta de uma filmografia repleta de valores, vaidades e éticas para além do humano.Marcadores: cinema
O cinema sobre teatro já rendeu bons filmes de Carlos Saura e Manoel de Oliveira. Guel Arraes fez sua tentativa com Romance, frustrando os que esperavam uma obra consistente, autoral e instigante. A história de Ana e Afonso, em atuações de Letícia Sabatella e Wagner Moura, inicia em uma montagem do clássico Tristão e Isolda, de Shakespeare. A parceria no palco invade a vida íntima e o romance real confunde-se com as representações da peça. A atriz é convidada para produções na TV, o que irá abalar o relacionamento e o filme, deslocando-se do mundo do teatro para o da TV. Ao fundo, estão os bastidores nem sempre éticos da fama e das produções televisivas e um embate que é muito forte no Brasil: o idealismo representado pelo teatro contra a entrega aos desígnios do mercado da televisão. O ruim de Romance é que mesmo com apenas 90 minutos em certo momento ele cansa e parece chato, apesar de algumas tiradas divertidas que impedem o sono.Marcadores: cinema
Todos os que gostam do tango e sentem o coração com a música argentina devem gastar um tempo e assistir Café dos Maestros, documentário de Miguel Koham e Gustavo Santaolalla. Ao final, o filme registra um encontro de grandes e históricos personagens do tango no Teatro Colón, em Buenos Aires. Antes, porém, mostra a preparação e depoimentos de cada um deles, entre os quais Leopoldo Federico e Lágrima Ríos, com a imponência de sua voz e a força que transmite à música. Lágrima morreu no final de 2006, após a realização do documentário. Café é talvez a última aparição pública de grande parte de seus personagens e remonta à história de uma Buenos Aires que existe atualmente apenas na memória de quem a viveu e nos prédios da cidade que foram o palco de encontros memoráveis. O tango é a música da tristeza, da melancolia e da dor. São sentimentos esplendorosos quando experimentados nas letras e ritmos, já que na vida é impossível a eles renunciar.Marcadores: cinema
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Apesar das cinco indicações ao Globo de Ouro, O Curioso Caso de Bemjamin Button é um filme apenas bom. Vale a pena assistir, sim, mas está longe de conquistar o título de melhor do ano. A história é original, baseada em um conto, de 1920, do grande escritor Scott Fitzgerald. Benjamin Button nasce em 1918, no final da I Guerra Mundial, em New Orleans, em um parto que vitima sua mãe. O inusitado diante do corriqueiro é a aparência do bebê, envelhecida, comparável a um monstro. O pai, assustado, abandona a criança na porta de uma casa qualquer. Com o passar dos dias, descobre-se que Benjamin nasceu velho, aos 80 anos, e que viverá o caminho inverso dos demais humanos, conhecendo a juventude no galgar da morte. Diante da originalidade da história de Benjamin, o filme conta sua vida, com amores, dissabores, dores, paixões, perdas, vitórias e derrotas que são idênticas a todos homens e mulheres. Por isso, torna-se um tanto cansativo e previsível, sendo seus mais de 160 minutos exagerados. A obra do diretor David Fincher, estrelada por Brad Pitt e Cate Blanchett, enseja, e por isso merece a ida ao cinema, uma interessante discussão a respeito da nossa existência inexorável no corpo, algo que é óbvio na cultura contemporânea, mas nem tanto na história da humanidade (o corpo, na cultura cristã, é o veículo do pecado, em contraste com a alma, receptáculo da divindade sob a forma humana). Na modernidade, o corpo tornou-se central na reflexão do eu (o que não ocorria até então), adquirindo papel fundamental na elaboração da identidade dos indivíduos, categoria que também apresentou-se como novidade. Na segunda metade do século 20, e cada vez mais, até hoje, o corpo tornou-se obsessão. De tudo isso, no entanto, resta o fato inquestionável de que somos também nossos corpos, e eles influenciam e determinam muitas ações e fatos da vida. O Curioso Caso de Benjamin Button nos chama a atenção para a noção de tempo na vida humana e para a ação dele sobre o corpo, determinando e condicionando uma série de possibilidades e experiências. A relação entre corpo e tempo é uma imposição da natureza, sob a qual construímos valores culturais. Modificado o natural, de que maneira reage a cultura? O questionamento não obtém resposta no filme, mas é um interessante prelúdio para tentar entender os mistérios e os fascínios existentes entre os fenômenos naturais e as transformações impostas por nossas experiências.Marcadores: cinema
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As histórias reais levadas ao cinema possuem as limitações de terem ocorrido, de serem exatamente casos reais, e de por isso prenderem os cineastas aos fatos, a aquilo que é. A imaginação, capaz de mergulhar em mundos, personalidades e relatos surpreendentes e contagiantes, perde o espaço. Entra em cena a vida: não menos fascinante, mesmo que por vezes óbvia demais para nossas incontroláveis fantasias. A Troca, um dos últimos filmes do brilhante Clint Eastwood que está estreiando neste verão, tem todos contingenciamentos das obras baseadas em fatos verdadeiros e o brilho intenso da vida real. A história de Christine Collins, ocorrida em Los Angeles em 1928, é uma formidável demonstração da vantagem da democracia e um soco nos que acreditam nos podres poderes. Walter, o filho de Christine, desaparece numa tarde de sábado. A partir desse momento, inicia a peregrinação da mãe em defesa de sua preciosidade. A queixa na polícia só pode ser registrada 24 horas após o sumiço. O pior ainda está por vir, porém: tempos depois, a polícia lhe entrega um menino e tenta convencê-la, contra todas as evidências, tratar-se de Walter. O coração de mãe não sucumbe ao engodo e empreende uma luta feroz pela restituição da verdade, enfrentando uma polícia corrupta e leniente. Ameaça ao estado das coisas, Christine é internada num manicômio repleto de personagens que desafiaram o poder e submetida a torturas desmoralizantes. Graças a pregação do pastor da cidade é solta e inicia-se um processo para restabelecer os fatos, o que só é possível pela ação quase anônima de um policial que exerce sua função com a dignidade que parece perdida. A dor de Christine desperta a atenção do pastor (mostrando como a pluralidade das sociedades contemporâneas é uma vitória), que mobiliza a imprensa e a sociedade contra a injustiça. Em qual sistema poderia ocorrer tal coisa senão em uma democracia, na qual a liberdade é potencial permanente, mesmo que cobre seu preço? Ser livre não é para qualquer um. Somente em um regime democrático, porém, a possibilidade existe. Os que a abraçam costumam transformar as realidades, mesmo pagando o preço caro do enfrentamento. A atuação dos chefes da polícia e do diretor do manicômio, por sua vez, desnuda o estrago que o poder pode causar e a aura putrefata que o engolfa. Os poderes destroem a esperança, a razão, o sentimento e o argumento. Em nome deles, homens e mulheres enfrentam os fatos e aquilo que é. Serão o Judiciário e o Legislativo, pilares da democracia, que ajudarão a por as coisas nos seus lugares. E o desempenho tonitruante e invejável de um advogado, como faz falta em nossos dias, chamará o delírio do poder à razão. Além disso tudo, Eastwood nos presenteia com bela e contida trilha sonora e com paisagens e enquadramentos dignos do melhor cinema. E Angelina Jolie, para arrebatar, está estupenda, com atuação paralela à sua ofuscante beleza.Marcadores: cinema
A máfia é uma marca da Itália. O conhecimento da dimensão de sua ação, no entanto, é restrito por clichês, verdades que se alastram sem dizer muito. Filmes sobre mafiosos são recorrentes e é sempre difícil acrescentar mais um. Gomorra, do diretor Matteo Garrone, vem nesse emaranhado: retrato do impacto da máfia napolitana, a Camorra, no cotidiano de Nápoles, é um filme a mais sobre o tema, e consegue superar o enfado de uma provável repetição. Baseado no livro homônimo do escritor e jornalista Roberto Saviano (persona non grata pelos mafiosos e ameaçado de morte), o filme mergulha no acompanhamento de personagens que têm suas vidas transformadas pelo contato com os braços do crime que são instituição no Sul da Itália. Formado pela soma de situações cotidianas, vividas por personagens desconexas, Gomorra parece não ter um sentido lógico. Ao final, a impressão é de que faltou desvendar os mistérios da organização, seus braços institucionalizados e o que isso tem a ver com o poder político do mais subdesenvolvido dos países ricos da Europa. A intenção de Garrone talvez tenha sido essa mesma: mostrar como a ação e a presença da máfia se transformou em algo cotidiano, a governar vidas, a dominar destinos, sem qualquer surpresa, indignação ou reação contrária. Ela faz parte da vida. A Itália pobre e subdesenvolvida aparece tristemente com muita câmera na mão, imagens turvas e isoladas e uma certa inovação formal – o que garante ao filme ares de documentário. A sensação, final, é de que Gomorra prometia mais e ofereceu pouco. Tratando-se de um filme sobre a máfia, no entanto, oferece bastante no que poderia ser o ponto fraco: o olhar sobre destinos ordinários que são tocados pelo crime sem a culpa da subversão. Tráfico de drogas, trabalho escravo, produção industrial desleal, manipulação de lixo contaminada: as faces perversas da Camorra perdem espaço para o efeito de sua ação na vida das pessoas. O jeito complacente dos personagens, a ausência de qualquer reação, é um retrato de pessoas que se entregaram. E o poder da máfia vem disso. Mesmo com a ação da Justiça contra ela, o fato de ter se alastrado pelas paragens sulistas a faz permanente e, no princípio, invencível. Saviano é a voz que contraria uma ordem sonolenta. A sobrevivência dele é a garantia de que as idéias ainda podem alguma coisa. Por isso, Gomorra vale mais pelo simbolismo que pelo filme em si.Marcadores: cinema
O escritor italiano Alessandro Baricco realiza no livro Seda uma elegia da palavra. Texto curto, frases exatas, o romance é de leitura rápida, corrida e emocionante. Conta uma história de amor sem falar do amor, fala de sentimentos sem precisar revelá-los ou explicá-los, impõe-se ao leitor sem a necessidade de abusar do discurso, sem se valer de artimanhas. Baricco prova como é possível dizer muito com pouco. No tempo das verborragias, é uma exceção grata e bem-vinda. O lirismo perpassa suas páginas e com ele adentramos no mundo sagrado de nossas fantasias e emoções. O escritor, na sua contenção, provoca o leitor. Tudo o que interpretarmos do romance é mais o reflexo da alma de quem lê do que o pensamento e a construção do escritor. Seda é como o caminho que descreve: misterioso e irrecusável. Cruzá-lo envolve determinação, mistério, surpresa, êxtase e decepção. Numa história curta, num caso de amor, um resumo lírico sobre a passagem humana na Terra. As páginas de Seda despertam no leitor as melhores lembranças e ardores sobre a vida. E sem a necessidade de suspeitos finais felizes.Marcadores: livros
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